segunda-feira, 6 de julho de 2015

Anjo em brasas

A mim mesmo não reconheço
Diferença? Não a encontrei
Só sei que não sou o mesmo
Desde que meu anjo eu beijei

Palavras loucas, conturbadas
Sinto um desejo tátil
Ao ver-te em brasas
Conter-me não é fácil

Não consigo; não quero parar
Sinto o prazer que nos invade
Matando-nos, sem dificuldade

A saída não vou encontrar
Amanhã estarei, sem piedade,
Morto! Por um anjo sem crueldade

Samuel Pereira

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